A antiga porta de madeira resistiu apenas ao primeiro impacto. Um dos policiais golpeou a fechadura com um aríete metálico, fazendo a madeira rachada ceder com um estalo seco. No segundo golpe, a estrutura inteira desabou para dentro, levantando uma nuvem de poeira que obrigou todos a cobrir o rosto por alguns instantes.
Bryan ergueu a lanterna.
— Ninguém entra sozinho. Vamos juntos.
Os policiais confirmaram com um gesto de cabeça. Assim que atravessaram a passagem, perceberam que aquele espaço era muito maior do que imaginavam. O ar mudou imediatamente. Tornou-se pesado, úmido e difícil de respirar. O cheiro de terra molhada misturado ao mofo impregnava o ambiente de tal forma que parecia impossível aquele lugar permanecer escondido sob a casa sem que ninguém jamais o tivesse descoberto. As lanternas revelavam um corredor estreito, escavado diretamente na terra. O chão estava coberto por uma espessa camada de poeira, restos de madeira apodrecida e incontáveis ossos espalhados de maneira desordenada, como se estivessem ali havia muitos anos.
Emma diminuiu o passo.
— Meu Deus...
Bryan agachou-se próximo a um dos ossos. Não tocou nele. Apenas observou por alguns segundos.
— A perícia vai precisar descer aqui imediatamente.
Eles continuaram avançando em silêncio. O corredor parecia não ter fim. A cada metro percorrido, o teto tornava-se mais baixo e o cheiro de umidade ficava ainda mais intenso. O único som era o das botas esmagando pequenos fragmentos de madeira e pedra. De repente, a passagem se abriu. Todos pararam. À frente deles estendia-se um enorme labirinto subterrâneo. Diversos túneis partiam daquele ponto central, desaparecendo completamente na escuridão. Alguns eram estreitos. Outros pareciam largos o suficiente para a passagem de várias pessoas ao mesmo tempo. Era impossível calcular até onde aquelas galerias chegavam.
Um dos policiais assobiou discretamente.
— Isso não pode ser real...
Bryan girou lentamente a lanterna, tentando contar quantas entradas havia. Perdeu a conta antes da décima.
Foi Emma quem percebeu o detalhe mais estranho.
— Bryan... ilumine aquilo.
Ela apontava para uma das entradas. Sobre ela havia uma velha placa de madeira presa por dois pregos enferrujados. Bryan aproximou-se. A poeira escondia parte das letras. Ele passou cuidadosamente a mão sobre a madeira. As palavras tornaram-se visíveis.
— Família Foster...
O detetive permaneceu alguns segundos encarando a placa.
Emma franziu a testa.
— Foster...
Então ambos compreenderam ao mesmo tempo. Era o sobrenome de Nathan. Os dois trocaram um olhar rápido.
Bryan pegou imediatamente o rádio.
— Oficial Harris.
— Estou aqui, detetive.
— Preciso dos sobrenomes das outras três crianças desaparecidas.
O policial abriu rapidamente seu bloco de anotações.
— A primeira é Walker.
Enquanto ele respondia, Emma caminhou até outro túnel. A lanterna iluminou outra placa.
Ela respirou fundo.
— Walker...
Bryan olhou para ela.
Nenhum dos dois disse nada.
O policial continuou.
— A segunda... Reynolds.
Emma seguiu para outro corredor. Poucos segundos depois, sua voz ecoou pelo labirinto.
— Reynolds também.
O silêncio tornou-se ainda mais pesado. Harris consultou novamente as anotações.
— A terceira... Collins.
Emma caminhou apressadamente até outra entrada. Por um instante, pareceu hesitar antes de aproximar a luz da lanterna.
Então fechou os olhos.
— Collins...
Bryan soltou lentamente o ar. Cada túnel estava identificado com o sobrenome de uma família. Cada família correspondia exatamente a uma criança desaparecida naquela noite. Aquilo já não podia ser tratado como coincidência. Nenhum dos policiais parecia disposto a quebrar o silêncio. Todos olhavam para as placas tentando encontrar alguma explicação lógica. Mas nenhuma existia.
Bryan voltou a observar o labirinto.
— Quero saber até onde esses túneis vão.
Dois policiais seguiram por uma das galerias enquanto outro grupo entrou por uma passagem diferente. Permaneceram em contato pelo rádio durante todo o percurso. Alguns minutos depois, as primeiras respostas começaram a chegar.
— Detetive... esse túnel continua.
Outra voz surgiu logo em seguida.
— O nosso também.
Bryan pegou um bloco de papel e começou a marcar rapidamente as direções indicadas por cada equipe.
Emma aproximou-se.
— Está percebendo?
Ele desenhou mais algumas linhas antes de responder.
— Sim.
Ela apontou para o esboço improvisado.
— Eles não seguem aleatoriamente.
Bryan terminou o último traço. Então levantou lentamente os olhos.
— Estão indo na direção das casas.
Emma acompanhou o mapa. Quanto mais linhas surgiam, mais evidente aquilo se tornava. As galerias subterrâneas pareciam avançar exatamente sob Willow Creek. Passavam sob ruas. Sob jardins. Sob dezenas de residências.
Bryan guardou o bloco imediatamente.
— Não podemos correr esse risco.
Ele levou o rádio à boca.
— Atenção, todas as equipes.
Sua voz ecoou firme.
— Retirem imediatamente todas as crianças de Willow Creek. Repito... todas. Não deixem nenhuma dentro das residências.
Uma breve interferência respondeu do outro lado.
— Confirmado.
Bryan continuou.
— Levem todas para o distrito policial. É a prioridade absoluta.
— Entendido, detetive.
Um dos policiais começou a subir rapidamente as escadas para reforçar pessoalmente a ordem às equipes que permaneciam do lado de fora. Foi então que aconteceu. No início, parecia apenas um som distante. Muito baixo. Quase imperceptível. Depois veio outro. Mais próximo.
Emma ergueu a cabeça.
— Você ouviu isso?
Bryan permaneceu imóvel. Mais um grito. Depois outro. Em poucos segundos, dezenas de vozes começaram a ecoar pelos túneis. Eram vozes infantis. Algumas choravam. Outras gritavam por ajuda. Pareciam vir de todas as direções ao mesmo tempo.
— Socorro!
— Mamãe!
— Me tira daqui!
Um policial deu um passo para trás.
— Eles estão vivos...
Bryan reagiu imediatamente.
— Dividam as equipes!
Ele apontou para os diferentes corredores.
— Dois homens por túnel! Não percam contato pelo rádio!
Os policiais começaram a se organizar rapidamente. Se aquelas crianças ainda estavam vivas, cada segundo fazia diferença. O primeiro grupo mal havia dado alguns passos quando um forte tremor percorreu o chão. Todos perderam o equilíbrio. Uma vibração profunda atravessou o subterrâneo, seguida por um estrondo tão intenso que parecia vir das próprias paredes.
— Cuidado! — gritou Bryan.
Pedras começaram a despencar do teto. Emma levantou o braço para proteger o rosto enquanto uma nuvem de terra tomava conta do ambiente. Outro estrondo. Depois outro. Grandes blocos de terra começaram a desabar sobre as entradas dos túneis. Uma. Depois outra. E outra. Os corredores desapareciam diante dos olhos da equipe.
— Recuem! Agora! — ordenou Bryan.
Os policiais correram de volta para o ponto central enquanto o labirinto desmoronava ao redor deles. Quando a poeira finalmente começou a baixar, o silêncio retornou. Bryan iluminou lentamente os corredores. Todos haviam desaparecido. As entradas estavam completamente bloqueadas por toneladas de terra e pedra. Restava aberta apenas a passagem por onde haviam entrado.
Ele não precisou pensar duas vezes.
— Vamos sair daqui!
A equipe subiu as escadas praticamente correndo. Assim que atravessaram a velha casa e alcançaram a rua, perceberam que a situação do lado de fora havia se tornado ainda pior. Sirenes ecoavam por todos os lados. Novas viaturas chegavam sem parar. Pais corriam desesperados entre as casas, chamando pelos filhos em meio ao choro e ao desespero. Alguns policiais tentavam organizar a multidão, enquanto outros anotavam novos registros de desaparecimento que surgiam a cada minuto.
Bryan observava aquela cena incrédulo. Tudo estava acontecendo rápido demais. Foi então que seu olhar parou na residência ao lado. No segundo andar, uma pequena menina permanecia parada diante da janela. Ela não chorava. Não gritava. Apenas observava toda a movimentação da rua. Sozinha. Bryan reconheceu imediatamente a garota. Emily Mitchell. Oito anos.
Ele apontou para a casa.
— Vocês dois!
Dois policiais se aproximaram correndo.
— Levem aquela menina para o distrito imediatamente. Não deixem que ela fique sozinha nem por um segundo.
— Sim, senhor!
Os dois atravessaram a rua em disparada. Bryan permaneceu onde estava. Seus olhos voltaram lentamente para a velha casa abandonada. Até poucas horas antes, ele acreditava estar investigando o desaparecimento de um garoto. Agora havia um labirinto escondido sob a cidade, dezenas de novos desaparecimentos e perguntas para as quais nenhuma evidência parecia oferecer resposta.
Sem desviar os olhos da antiga construção, falou quase para si mesmo:
— Essa vai ser uma noite muito longa.